Empresas que crescem muito além do esperado têm que enfrentar desafios para suprir a demanda – e tomar cuidado para não acabar com prejuízo

Terminar o ano com um nível de crescimento maior que o esperado é, certamente, um indício de que os negócios andam bem. Mas também traz consigo alguns problemas que podem colocar em risco a estabilidade da organização, especialmente se o crescimento for muito intenso e muito rápido.

Uma coisa é certa: não dá para simplesmente continuar tudo como era antes. Para suprir o aumento da demanda pelos produtos/serviços da empresa é necessário repensar o modelo de negócio, inaugurar novas fábricas/escritórios, alterar o funcionamento da gestão e contratar mais mão-de-obra. E todas essas mudanças demandam trabalho e gastos adicionais.

A Natura é exemplo de empresa que teve que implementar mudanças para seguir crescendo. Antes, todos os seus produtos eram produzidos no Brasil e depois exportados para países como Argentina, Colômbia e México. Em 2010, a empresa fechou parceria com terceiros na Argentina e passou a também fabricar produtos lá. No ano seguinte, foi a vez do México e Colômbia ganharem fábricas. Com isso, a Natura conseguiu suprir a demanda por produtos e reduzir os gastos com transporte – além de diminuir em 2% suas emissões totais de carbono. Como se trata de uma empresa que tem a sustentabilidade como bandeira, houve também um benefício para a imagem da companhia. As previsões são de que, em três anos, 50% dos lucros das operações na América Latina seja proveniente de produtos fabricados fora do Brasil.

O crescimento da empresa também implica em aumento do quadro de funcionários. A fundição Intercast S.A., instalada na cidade de Itaúna, em Minas Gerais, viveu um período de crescimento intenso nos últimos anos. Para atender à demanda, a indústria implementou um terceiro turno, para o qual contratou mais de cinquenta funcionários, além dos 430 que já operavam na fábrica. Além disso, uma empresa maior significa processos mais complexos, o que vai requerer mão-de-obra qualificada. Conquistar e manter os melhores talentos do mercado é imprescindível para garantir um crescimento ordenado da empresa. Muitas empresas familiares que apresentaram um crescimento rápido acabam enfrentando problemas pela falta de experiência administrativa dos seus donos. A solução é profissionalizar a gestão.

Mas alterar o funcionamento da empresa e contratar mais funcionários representa um custo com o qual muitas empresas não têm como arcar. Então começam a tomar empréstimos e acabam endividadas. O crescimento rápido, em vez de garantir um futuro próspero para a companhia, acaba gerando prejuízo.

Também é preciso saber quando parar de crescer. Pode parecer estranho, mas chega um ponto em que os custos do crescimento se tornam tão elevados que um aumento ínfimo do lucro requer gastos cada vez maiores. A rede de lanchonetes McDonald’s passou por isso. Em 2003, a empresa fechou com prejuízo e percebeu que sua política de expansão a qualquer custo era a responsável pelos maus resultados. Para evitar cair nessa armadilha, os executivos devem ter em mente que a expansão dos negócios deve estar atrelada a um aumento expressivo no lucro.

Portanto, ao mesmo tempo em que não dá para manter tudo como era antes após um surto de crescimento, é preciso não se deixar levar pelo otimismo desenfreado e analisar muito bem o cenário presente e futuro antes de tomar qualquer decisão. É necessário avaliar se esse crescimento repentino pode se sustentar no futuro ou se é um caso de “bolha” que logo pode estourar.

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