Investidor-anjo

O profissional que permite que ideias inovadoras se tornem negócios de sucesso

Muitas empresas de tecnologia da informação começaram de maneira totalmente despretensiosa: alguém teve uma ideia, começou a desenvolvê-la com alguns amigos no tempo livre e, após alguns anos, o negócio estava avaliado em bilhões – o caso mais emblemático é o do Facebook, que começou a ser criado no dormitório de Mark Zuckerberg em Harvard. Neste cenário, a figura do investidor-anjo é fundamental, já que fundos de investimento não se arriscam a colocar dinheiro em negócios pouco estruturados e que têm uma chance alta de darem errado.

O investidor-anjo é geralmente uma pessoa física, e tem como missão ajudar startups a alavancarem o negócio, fazendo aportes com valor entre 50 mil e um milhão de dólares. Em troca do investimento, o profissional ganha participação societária na empresa novata. Embora o investidor-anjo não esteja limitado a negócios de TI, é nesse setor que ele é mais requisitado, em virtude da instabilidade dos negócios (uma ideia que parecia genial pode se revelar um fracasso e nunca ultrapassar os limites do quarto do seu fundador).

Muitas vezes o investidor-anjo foi dono de uma startup que acabou comprada por alguma grande companhia e agora usa o dinheiro da venda para financiar outras empresas novatas. O Google é um celeiro de investidores-anjo. Após a abertura do capital, a empresa gerou mais de 170 milhões de dólares para funcionários e investidores. Parte desses novos milionários resolveu investir em negócios que lidam com novidades tecnológicas. Segundo pesquisa do instituto YouNoodle, os investimentos de mais de 40 ex-googlers foram parar em cerca de 200 empresas iniciantes, entre elas a desenvolvedora de jogos Tapulous e a rede de microblogs Twitter. Esta recebeu, em 2007, 50 mil dólares do investidor Chris Sacca, advogado que entrou para o Google em 2003 e saiu em 2007, e que já investiu em mais de 30 startups.

Enquanto nos Estados Unidos a tendência já se cristalizou (mais de 62 mil empresas já receberam aportes e os investidores-anjos movimentaram 20 bilhões de dólares só em 2010), no Brasil, a figura do investidor-anjo ainda não é muito presente no mundo corporativo. No entanto, isso vem mudando, tanto que, no ano passado, a revista Exame publicou uma lista dos sete principais investidores-anjo brasileiros. Além disso, já apareceram iniciativas para incentivar a atuação desses profissionais, como a Anjos do Brasil e os eventos realizados pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos).

É importante lembrar que os esforços não devem partir somente de quem possui capital, mas também das startups. Em entrevista à Exame, Paul Bragiel, fundador da I/O Ventures, explicou que para atrair um investidor-anjo não basta ter uma ideia genial: é importante construir e manter um network e apresentar o trabalho de maneira interessante e concisa.

Para saber mais sobre o tema, tanto do ponto de vista do empreendedor como do investidor, leia o livro Investidor-Anjo, de Cassio Spina, um dos principais profissionais da área no país.

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