Disputa por talentos deve se acirrar

Para atrair os melhores profissionais do mercado, empresas prometem crescimento na carreira e investem na criação de um ambiente de trabalho agradável

O apagão de mão-de-obra qualificada é um assunto que preocupa as empresas em operação no Brasil. Segundo levantamento da Amcham (Câmera Americana de Comércio) feito com 74 gestores de RH, 80% dos executivos disseram que suas empresas estão sofrendo com a disputa pelos talentos, e 99% dos entrevistados afirmaram acreditar que o problema vai se intensificar nos próximos anos.

A arma encontrada para captar os talentos do mercado é o desenvolvimento profissional. Enquanto 30% das empresas focam em salários, bônus e recompensas; 70% preferem investir em programas de treinamento e plano de carreira. As sete maiores empresas da lista de Melhores Empresas para Trabalhar divulgada no ano passado oferecem programas de desenvolvimento profissional, incluindo coaching, programa de mentor, universidade corporativa, treinamentos e bolsas de estudo para pós-graduação ou MBA.

As empresas têm usado a promoção como ferramenta de retenção de talentos. Por isso, hoje é comum ver profissionais de 30 anos ocupando cargos de gerência – e muitas vezes eles nem estão completamente preparados para assumir todas as funções que o posto requer. Mas é preferível oferecer bolsas e treinamentos (inclusive relacionados à questão comportamental e à capacidade de liderança) a esperar que o profissional dos sonhos apareça. A tendência mostra uma mudança não só nas organizações, mas também na mentalidade dos profissionais, que parecem priorizar a oportunidade de se desenvolver e crescer na empresa em detrimento dos incentivos puramente financeiros.

O ambiente de trabalho também é um quesito valorizado e tem sido usado como estratégia para atrair os melhores profissionais, inclusive por startups. Como mostra reportagem do Valor Econômico, a empresa catarinense Pixeon, por exemplo, resolveu investir na melhora do ambiente de trabalho e contratou o arquiteto responsável pelo escritório do Google em São Paulo para projetar a sede da empresa. O próprio Google oferece, dentro do seu enorme pacote de benefícios, uma verba para que cada colaborador decore a baia a seu gosto.

Parece até um pouco absurdo que um profissional leve a arquitetura e a decoração de um lugar como critérios para decidir aceitar ou não uma proposta de emprego, mas em um contexto de guerra por talentos, tudo é levado em conta – e os profissionais percebem que trabalhar em um ambiente agradável não é um mero detalhe. Portanto, cada vez mais as empresas vão ter que inovar em estratégias para conseguir os melhores profissionais do mercado – e eles são bem poucos.

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