Empresas se deslocam geograficamente à procura de crescimento

Insatisfeitos com as condições locais de suas companhias, empreendedores ousados decidem enfrentar os desafios dispendiosos do deslocamento e acabam movendo centenas de funcionários para cidades com maior oferta de expansão.

Recentemente, a montadora Chrysler anunciou a intenção de transferir cerca de 70 funcionários de Auburn Hills para Detroit, no desejo de reerguer a indústria local, lesada após a crise que atingiu as montadoras do país em 2008. Como afirma a Auto Esporte, para o mercado norte-americano, enriquecer as raízes é fortalecer a imagem da marca. Porém, a atitude é incomum e o mais frequente é vermos companhias abandonando suas cidades de origem visando, exclusivamente, o desenvolvimento. Os motivos podem incluir dificuldades no mercado local, escassez de mão de obra qualificada ou mesmo limitações físicas que, de alguma forma, não atendem às perspectivas de ampliação da empresa.

Um exemplo de como a carência de mão de obra está obrigando empreendimentos a buscar alternativas para o preenchimento das suas vagas é a sede curitibana da Kraft, transferida para São Paulo em 2011. A companhia considerou o retorno à capital paulista devido à dificuldade de atrair funcionários qualificados para Curitiba, já que a oferta de emprego nos polos trabalhistas do Sudeste é mais alta e, comumente, melhor remunerada. De acordo com a matéria da Você S/A, ao todo, 233 pessoas foram mobilizadas – contabilizando 150 funcionários e seus familiares – enquanto menos de 20 empregados foram dispensados. Isso mostra a disposição da empresa em manter os funcionários, em geral, os mais prejudicados nessas operações. Além de a Kraft contratar uma consultoria especializada na transição de companhias, arcou com os custos de viagem, alimentação, hospedagem, carregamento da mudança, cancelamento da matrícula escolar dos filhos dos seus empregados e, até, ofereceu-se como fiadora na locação de imóveis. Cônjuges que saíram de seus cargos para acompanhar a Kraft ainda receberam ajuda na procura de novos empregos. Todo o possível foi feito para diminuir o impacto da transferência.

Já a multinacional alemã Fette Compacting, autoridade no mercado de máquinas compressoras para indústria farmacêutica, caminhou na direção contrária à Kraft e decidiu deixar a capital paulista, movendo-se para Campinas, interior de São Paulo. A motivação também foi diferenciada: as antigas instalações não se adequavam aos planos de crescimento e oferta de serviços da empresa. O objetivo era proporcionar treinamentos em salas que simulassem um ambiente farmacêutico, incluindo a presença dos mesmos equipamentos usados na produção de comprimidos. Em entrevista ao DCI – Diário Comércio Indústria & Serviços – Edilson Viola, diretor da Fette Compacting América Latina Ltda., afirmou haver poucos edifícios industriais capacitados para essa proposta, a menos que tenham sido projetados para tal. Porém, em Campinas foi localizado um prédio apropriado, motivando o deslocamento da companhia.

Igualmente, a empresa John Deere, na intenção de se estabelecer numa localidade de acesso facilitado, optou por transferir sua sede para o interior de São Paulo. A mudança de Porto Alegre para Indaiatuba, além de conquistar uma vantajosa proximidade com o aeroporto de Viracopos – o que auxilia a integração com o restante do país –, tornou próximo um centro de distribuição de peças da companhia, também mantido em Campinas. De acordo com a matéria da revista Amanhã, a mudança é oportunizada pela confiança da empresa quanto às vendas brasileiras. “O país está preparado para enfrentar qualquer situação. Enxergamos a crise de forma realista, mas sem ter uma visão alarmista, já que o cenário brasileiro é muito favorável”, diz o diretor de assuntos corporativos da John Deere, Alfredo Miguel Neto.

Porém, enquanto a economia brasileira beneficia algumas áreas do mercado, em outras, empresas se veem obrigadas a abandonar o país. É o caso do grupo Schmidt Irmãos, que mudou sua produção do Rio Grande do Sul para a Nicarágua. Conforme o texto publicado na Resenha Eletrônica do Ministério da Fazenda, na Nicarágua, a indústria de calçados importa para a Europa sem impostos, o que lhe proporciona vantagem de 10% a 12% sobre o Brasil, e, ainda, fica livre das consequências da valorização do real, coloca os produtos no mercado com mais rapidez e tem, à sua disposição, mão de obra eficaz e barata. Esses benefícios compensam o gasto do grupo Schmidt Irmãos na implantação da fábrica nicaraguense – US$10 milhões, de acordo com as informações disponibilizadas na página da ProNicarágua. Mas, diferentemente dos esforços dispostos pela Kraft, a marca de calçados transferiu pouquíssimos empregados: em julho de 2010, começou a reduzir seu quadro de funcionários, passando de 3 mil para cerca de 500 pessoas, prejudicando grandemente a economia dos 21 municípios gaúchos em que mantinha instalações.

O grupo Schmidt Irmãos não é uma exceção. A quantidade de empresas que deixam o Brasil devido ao alto custo de produção é considerável e algumas se mudam visando melhor atender ao próprio mercado brasileiro.

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