Empresas com horários flexíveis já são realidade

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To our Brazilian friends.

Grandes companhias apostam na adequação da jornada de trabalho pelos próprios funcionários para aumentar produtividade.

A Revolução Industrial ocorreu há mais de duzentos anos, mas alguns de seus traços ainda são vistos, discutidos e colocados em prática até hoje. Um dos pontos mais debatidos desde aquela época é a jornada de trabalho dos funcionários. Antes, baseada em períodos que ultrapassavam 16 horas diárias, a carga horária teve diversas transformações até chegar ao modelo de oito horas, colocada em prática por empresas como a Ford, em 1914. Sim, atualmente, temos basicamente a mesma forma de trabalhar do início do século passado.

Tendo em vista as evoluções tecnológicas e a busca incessante por qualidade de vida, algumas companhias passaram a adotar novas estratégias para melhorar a sua imagem junto aos funcionários e, consequentemente, aumentar a produtividade.

Produtividade que não está atrelada, apenas, aos empregados, mas ao clima que eles encontram na empresa e a confiança depositada em seus serviços. “Já acabou a era em que as empresas escolhiam os seus funcionários, agora é o contrário”, afirma a médica Marcia Bandini, diretora da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt). “Um ambiente saudável dentro da empresa é preponderante para atrair e reter talentos.”

Uma das principais estratégias de algumas companhias é a flexibilização da carga horária. Trabalhar fora do horário comercial (entre 8h e 18h), seja para evitar o fluxo mais elevado no transporte público e o congestionamento nas grandes cidades ou para adequar melhor às vontades do funcionário, é realidade para empregados de diversas grandes empresas. A ação, inclusive, já é diferencial para aquela companhia que deseja conquistar novos talentos. “A remuneração não é mais o único fator para o ingresso de um trabalhador em uma empresa”, afirma Lucas Toledo, gerente da consultoria Michael Page. “O planejamento de vida da pessoa e como a empresa pode ajudar ou afetar seus planos tornaram-se preponderantes.”

Philips, Procter & Gamble, Ambev e Algar são algumas das que se destacam por se desvencilharem da rotina horária. Dentre elas, o Grupo Algar já adota o sistema de flexibilidade de carga horária há 22 anos. “Temos o lema ‘Liberdade com responsabilidade’ e em seis meses começamos a ver os resultados”, diz Cícero Penha, vice-presidente de talentos do grupo, que ainda lembra a resistência das lideranças à implantação no início dos anos 90. “Alguns tiveram o receio de perder o controle e o poder, mas logo depois vieram os elogios.”

Uma das contempladas pela nova política da empresa de soluções foi Cristiana Heluy. Atualmente, coordenadora da Assessoria de Comunicação da Algar Telecom. Mãe de dois filhos, Cristiana ajusta sua rotina e não falta no futebol das crianças e sempre os pega na escola, tudo sem prejudicar o seu trabalho. “Tenho que cumprir as 40 horas semanais, mas consigo adequar com trabalho remoto e alterando a rotina no escritório sempre de forma transparente e tranquila”, afirma Heluy.

Empresas que adotam política de trabalho em casa e horários alternativos estão se preparando para o futuro, segundo a diretora da Anamt. De acordo com ela, o empregador é o responsável por criar a oportunidades e chegar ao melhor modelo para os seus funcionários. “Tem que ser algo feito com responsabilidade e, principalmente, confiança nos subordinados”, diz Bandini, enquanto trabalha de sua residência. “Os beneficiados só devem tomar cuidado para que o trabalho não invada a vida pessoal.”

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