EMPRESAS DEMITEM POR BAIXO DESEMPENHO

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O ano de 2013 configurou nos altos escalões uma dança de cadeiras motivada por novos arranjos estratégicos das grandes empresas brasileiras. É o que indica um estudo realizado pela Page Executive, divisão do PageGroup especializada no recrutamento de profissionais da alta direção.

Segundo o levantamento, que teve como base 83 processos conduzidos pela consultoria entre o primeiro trimestre de 2013 e o mesmo período de 2014, substituições por desempenho insatisfatório foram uma das principais causas das contratações de executivos. Entre os 42% de reposições por desligamento, 85% se deveram à baixa performance – 35,7% do total da amostra. A criação de uma nova vaga pela expansão dos negócios, por sua vez, correspondeu a 37% do total das contratações.

Ter percentuais próximos de trocas por ineficiência e admissões para expandir a atuação da companhia constitui um paradoxo apenas aparente, segundo Fernando Andraus, diretor executivo da operação brasileira da Page Executive. Ele explica que empresas de maior porte que tiveram ciclos de grande investimento estavam com dificuldades para atingir suas metas. Passaram, assim, a trabalhar projetos de ganho de eficiência e rentabilidade. “O desempenho abaixo da expectativa foi atribuído aos líderes.”

Em contrapartida, companhias médias de setores não consolidados da economia e que receberam volume significativo de recursos – de fundos de private equity, por exemplo – foram responsáveis pelo surgimento das novas vagas. Entre esses segmentos de negócio estão os de bens de consumo, varejo e infraestrutura, de acordo com Andraus.

Em termos de remuneração, o estudo detectou que, ao mudarem de emprego em 2013, os executivos de alto escalão receberam aumento médio de 15% no salário fixo, na comparação com 2012. Para os bônus, a alta esperada para esses profissionais é maior, de 25%. “Eles apostaram no crescimento dos ganhos em longo prazo”, ressalta o diretor da Page Executive.

Em alguns casos, a consultoria percebeu que grandes empresas substituíram “medalhões” por profissionais de perfil menos sênior, que entraram ganhando quantias inferiores às de seus antecessores – ou um salário “mais de acordo com a realidade da organização”, visto que metas não haviam sido alcançadas. Por outro lado, em 62% dos processos a remuneração do executivo aumentou em relação ao quanto ganhava no emprego anterior.

Entre os dados, chama a atenção o aumento em pontos percentuais do número de cargos de diretoria demandados pelas empresas entre 2012 e 2013. Diretores de unidades de negócio saltaram de 3% para 13%, e os de áreas como marketing, fusões e aquisições e planejamento, de 12% para 22%. Especificamente no que diz respeito a fusões e aquisições, em alta no país, a preparação de companhias médias dos setores ainda não consolidados para uma eventual venda futura impactou trocas de CEOs e de CFOs, na avaliação do profissional da Page.

Também foi identificado que, das contratações efetivadas fora do Estado de São Paulo – 24% do total -, 45% dos novos empregados foram transferidos da capital. Morar em lugares “menos tumultuados” que a metrópole entrou no pacote de motivações para a migração. Andraus diz que, por conta dessas transferências, as remunerações de quem trabalha em municípios menores têm sido equivalentes às da cidade de São Paulo.

Se, em 2012, as empresas nacionais haviam respondido por 53% dos contratos, em 2013 somaram 66%. Além disso, 53% dos executivos empregados em companhias brasileiras trabalhavam antes em multinacionais. Foi o que aconteceu com Telma de Mônaco e Magalhães há um ano e meio, quando saiu de uma multinacional de biotecnologia para assumir a diretoria de marketing da rede nacional de laboratórios SolomãoZoppi Diagnósticos. Sua chegada faz parte do plano de expansão da empresa, que, a partir de um faturamento de R$ 97 milhões em 2011, pretende atingir os R$ 200 milhões em 2014 e R$ 400 milhões em 2017. Se, em 2012, eram 800 funcionários, já são 1.200 – com o objetivo de somar 1.800 até 2015.

Telma afirma que a proposta desafiadora foi fundamental para atraí-la para a posição atual. “Fiz o primeiro plano de marketing do laboratório, montei a área como acho que deve ser”, diz. “Uma multinacional entrega muita coisa mais pronta e engessada. Aqui, tomo bem mais riscos. Tenho autonomia, e isso faz sentido para a minha carreira.”

A diretora de recursos humanos, Magda Setoguchi, também é nova – está no SolomãoZoppi há quase oito meses. Sua experiência anterior passa por um banco e uma operadora de cartão de credito. “Vim para tornar o RH estratégico, além de implementar políticas de cargos e salários e de avaliação”, afirma. “Há flexibilidade para criar coisas novas e crescer junto com a empresa.”

 

Fonte: Valor Econômico

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