7 casos da Copa que podem ocorrer no ambiente de trabalho

Saiba como é estar num time dependente de uma estrela, como Messi. E como lidar com um brigão que produz resultados, como Suárez.

Neymar se prepara para bater pênalti em jogo contra o Chile (Foto: Reuters/Dylan Martinez)

Sua equipe de trabalho tem um funcionário encrenqueiro que dá resultado, como Suárez, o goleador mordedor que acabou suspenso da Copa? Ou ela está à sombra de uma estrela, como a Argentina, de Messi? Você já chorou no trabalho, feito o goleiro Júlio César? O G1 “levou” situações vividas pelas seleções da Copa para o ambiente de trabalho e ouviu craques em gestão, para saber como lidar com esses casos no dia a dia.

Quem opina é Eduardo Ferraz, consultor em gestão de pessoas, Irene Azevedo, diretora de negócios da consultoria LHH|DBM, e João Marco, diretor da Michael Page. Veja abaixo como eles avaliam cada situação.

1) Suárez, o funcionário problema que entrega resultados

Fundamental para o Uruguai, o atacante Luis Suárez acabou suspenso da Copa após morder o jogador Chiellini, da Itália. Foi a terceira vez que o atleta se envolveu nesse tipo de episódio. Suárez é um “funcionário” encrenqueiro que dá resultado. Como lidar com ele? Vale a pena manter alguém assim na equipe de trabalho?

Eduardo Ferraz: No ambiente corporativo não é possível contar com alguém que, apesar de genial ou de entregar ótimos resultados, causa constrangimento por comportamentos inadequados com frequência. É muito mais efetivo investir na equipe como um todo do que em indivíduos talentosos, mas problemáticos.

Irene Azevedo: Cabe ao líder encaminhar para tratamento, quando necessário, e solicitar ao RH ajuda para a solução deste problema. Mas não há resultado que justifique um comportamento que cause danos a outros e ao próprio profissional. Se não se dá tratamento e acompanhamento, ele não se desenvolverá e corre o risco de ter sua carreira deteriorada.

João Marco: É preciso avaliar se o comportamento do profissional pode ser corrigido e melhor orientado com uma gestão mais próxima, treinamento e direcionamento da carreira. Se a postura não mudar, não acredito que valha o investimento. Mas, caso haja mudanças positivas, acredito que um profissional que entrega bons resultados tem que ser preservado.


2) Tem um Messi na sua equipe: há espaço para alguém mais?

O próprio treinador da Argentina, Alejandro Sabella, já assumiu, em entrevista, que o time é dependente de Messi. Considerado por três vezes o melhor do mundo pela Fifa, o argentino foi peça-chave em todas as vitórias da seleção nesta Copa. Messi chegou a criticar o esquema tático da equipe e Sabella mudou, mas disse que o fez por convicções próprias. Como será chefiar uma equipe com uma estrela como esta? E como deve ser a convivência em um time que tem um Messi?

Eduardo Ferraz: A maioria as pessoas aceita muito bem trabalhar ao lado de gênios “do bem”. O que as pessoas odeiam é trabalhar com gente talentosa, mas intragável.

Irene Azevedo: O bom líder deve privilegiar a equipe. Quando o líder tem uma situação desta, a melhor estratégia é valorizar a equipe e deixar claro que ninguém é maior que ela. É logico que estrelas tem que ser valorizadas, mas a equipe tem que vir sempre em primeiro lugar.

João Marco: O chefe tem que dar espaço e ajudá-lo, mostrando os caminhos. Mas, ao mesmo tempo, deve mostrar os riscos de ser a “estrela”, ou seja, toda a responsabilidade que ele tem.


3) Chorar no trabalho pode?

Os jogadores brasileiros se emocionaram durante a Copa: teve lágrima durante o hino e em momentos críticos, como as de Julio Cesar antes dos pênaltis que decidiram a classificação para as quartas de final. Apesar do choro antes das cobranças, o goleiro pegou duas cobranças e saiu como herói. Afinal, chorar no trabalho pega mal? Demonstrar fragilidade ou desabafar diante dos colegas compromete o funcionário?

Eduardo Ferraz: Mais atrapalha do que ajuda. A vida profissional é a soma de milhares de pequenas decisões, acertos e erros. Pessoas maduras (isso nem sempre tem a ver com idade) têm como característica marcante o autocontrole na maioria das situações difíceis.

João Marco: Pode ajudar ou atrapalhar, varia de pessoa para pessoa. Alguns usam isso como força ao desabafar e soltar o peso, mas outros acabam sentindo a pressão e não conseguem retomar o controle emocional.

Irene Azevedo: A questão não é chorar ou não chorar, a questão é como eu, profissional, estou me sentindo e como encaro minhas emoções internas. Medo, tristeza, raiva, ciúmes são sentimentos que todos temos e quando temos consciência deles e podemos lidar com eles, aí sim, estamos maduros e tiramos o melhor de todas as situações.


4) Neymar, estreante com imensa responsabilidade

Longe de ser um jogador novato, Neymar tem tanta responsabilidade na seleção brasileira que muitos esquecem que ele está em sua primeira Copa. Aos 22 anos, ele estreia no maior torneio do mundo, sob os olhos de milhões de pessoas, com a expectativa de entregar ótimos resultados. Como é um funcionário tão jovem consegue carregar tamanha carga? Como o chefe deve liderar alguém assim?

João Marco: Com muita proximidade. Não se pode esquecer que, por mais talentoso que o profissional seja, a maturidade e a experiência vêm com acertos e erros. É importante que ele passe por tudo isso e crie a resiliência necessária para aprender com esses momentos.

Eduardo Ferraz: Nas empresas, os jovens talentos devem ser preparados aos poucos, sem exagero nas cobranças enquanto eles não estiverem preparados. Muito treinamento e um bom mentor auxiliam muito neste processo.

Irene Azevedo: Para que tem um nível de entrega “fora da curva”, é necessária uma atenção maior do líder, para manter as motivações. Por exemplo, há pessoas que se motivam por serem sempre desafiadas e outras que querem equilíbrio de vida pessoal e profissional. Então, se um profissional com esse perfil é responsável por um grande projeto, é dever do líder verificar se as motivações estão sendo atendidas, para garantir maior produtividade.


5) Como um grupo se recupera de um tombo como o da Espanha?

As tradicionais Espanha, Inglaterra, Itália e Portugal foram eliminadas ainda na primeira fase da Copa do Mundo. Atual campeã, a seleção espanhola amargou uma goleada da Holanda no primeiro jogo e outra derrota, para o Chile, no segundo, que cravou a desclassificação. Como uma equipe deve encarar um fracasso tão grande? De quem é a culpa?

Eduardo Ferraz: Os principais responsáveis pelo sucesso ou fracasso são os líderes e eles devem, sim, assumir o ônus da mesma forma quando ganham o bônus. Nas empresas é o mesmo princípio. Projetos fracassados precisam ser avaliados e corrigidos.

João Marco: Tem que avaliar o projeto e identificar os erros. No trabalho em equipe todos ganham e perdem juntos.

Irene Azevedo: Quando os resultados não acontecem o protagonismo é fundamental. O time deve olhar para seu desempenho, verificar o que não fez e identificar o que deve fazer para chegar aos resultados.

O papel do líder, então, é de mostrar também os pontos fortes da equipe e fazê-los entender que o melhor caminho é o do protagonismo.


6) Mensagens motivacionais funcionam?

Nos dias de jogos da seleção brasileira, Felipão envia mensagens motivacionais ao grupo. Uma carta é colocada por baixo da porta dos quartos dos jogadores. Esse tipo de ação ajuda, de fato, os funcionários?

Irene Azevedo: Neste caso, a carta é um símbolo de cuidado com os jogadores, de pensar num tema que sirva de apoio a eles. Quando um líder mostra aos seus liderados que se importa com todos e faz ações na direção de incentivá-los, ele estará incentivando o time e com isto cria um espírito de equipe e terá resultados.

Eduardo Ferraz: O discurso só vale quando é acompanhado pelo exemplo. Nas empresas, o discurso puramente motivacional é muitas vezes ridicularizado pela equipe e às vezes tem efeito contrário. O que funciona na prática é a meritocracia: ganha mais quem produz mais e ajuda os outros a produzirem também.

João Marco: Acredito na gestão transparente e pelo exemplo. O líder que consegue exercer esse tipo de gestão vai, em 90% dos casos, fazer com que sua equipe trabalhe unida e em busca dos objetivos traçados.


7) Ainda não é um “titular” no trabalho? Paulinho e Fernandinho não se intimidaram

Reserva no início da Copa, Fernandinho ganhou a posição de Paulinho após se sair bem ao substituí-lo no 2º tempo do jogo contra Camarões, ao fim da 1ª fase. Acabou escalado entre os titulares contra o Chile, nas oitavas. No mesmo jogo, Paulinho foi dos que mais incentivaram o time antes das cobranças de pênaltis. Com o colete de reserva, ele se posicionou no centro da roda, diante de jogadores e de Felipão, e tomou a palavra. Os dois mostraram que, mesmo sem ser “titular” na equipe, é possível ser mais que um coadjuvante?

Eduardo Ferraz: Muitas vezes, há funcionários que trabalham muito e aparecem pouco. Algumas dessas pessoas não serão chefes e nem terão muito destaque, mas são importantíssimas e devem ser valorizadas, principalmente por meio de elogios públicos, treinamentos específicos ou novas oportunidades como projetos desafiadores.

Irene Azevedo: Para ser notado, é importante estar sempre disposto a ajudar, principalmente se o assunto for crítico. Esta é a máxima do marketing pessoal: ter visibilidade e, é lógico, entregar resultados consistentes. Hoje, com a pressão por resultados, quem não entrega o prometido tem que estar alerta, porque será cobrado e alguém vai pagar o pato.

João Marco: Os “carregadores de piano” têm papel fundamental em qualquer companhia. Quando você tem uma equipe/time na mão, todos conhecem seus objetivos. E quando não está entregando os resultados esperados (dentro de uma gestão transparente), o profissional que deixa sua posição para uma outra pessoa sabe que precisará trabalhar mais e melhor para recuperar seu prestígio e espaço dentro da equipe.

 

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